"Ser criativo nem sempre é inovar, às vezes significa olhar para trás e trazer o conhecido de forma inesperada." - Alex Atala
“Nothing is more interesting than that something that you eat.” - Gertrude Stein - Gastronomica-The Journal of Food and Culture
Mantemos um senso comum com relação a higiene medieval que generalizou-se como verdade, porém as pessoas na Idade Média se banhavam sempre que possível e tentavam se manter limpas.
Hoje como antigamente o cuidado com a limpeza na cozinha e na higienização dos alimentos é um procedimento de extrema importância: lave bem as mãos antes de usar a cozinha; limpe os utensílios que irá usar, peças de equipamentos e local de trabalho; higienize corretamente dos vegetais - legumes, hortaliças e frutas. E NÃO lave as carnes.

sexta-feira, fevereiro 23, 2018

CALIPHATE EGGPLANT RELISH

Na cozinha árabe do século 13, a fragrância de um prato era essencial e os cozinheiros da época empregavam uma variedade de especiarias aromáticas e ingredientes como rosebuds (botão-de-rosa) e açafrão para perfumar seus alimentos.

Neste prato a berinjela é mergulhada em iogurte e pulverizada generosamente com uma mistura de especiarias que incluem lavanda, noz-moscada, cravo e rosebuds.

INGREDIENTES

200 g de iogurte (natural – pastoso: tipo grego) 
1 berinjela grande - 500 gramas
Vinagre de maça ou suco de limão q.b.
15 g de sal
3 dentes de alho picado
30 g de óleo de gergelim torrado
20 g sementes de gergelim torradas
5 g cominho em pó
5 g coentro em pó

PREPARAÇÃO

Despeje o iogurte num passador de rede fina (ou uma peneira forrada com musseline) sobre uma tigela e reserve por uma hora para drenar.

Corte a berinjela em cubos pequenos. Coloque numa tigela / recipiente e cubra com água salgada (5 g de sal por litro) e misture (pode optar por branquea-la por 10 minutos em água quente com duas colheres de sopa de vinagre ou suco de limão e sal). Deixe-a descansar por cerca de 20 min. Ambos os processos servem para remover o sabor amargo das berinjelas.

Triture os dentes de alho.

Depois de drenar a água salgado dos cubos de berinjela, seque-os com uma toalha de papel (não precisa estar muito seco, apenas retire o excesso de água o máximo possível). Em uma panela ligeiramente grande, coloque óleo de gergelim em fogo médio por cerca de um minuto, tempo para aquecê-lo. Adicione alho picado e cubos de berinjela. Refogue-os, agora em fogo alto, mexendo constantemente com uma colher de pau.

Uma vez que essa mistura de alho-berinjela esteja cozida, adicione cominho, coentro, 1/2 colher de chá de sal e aproximadamente metade das sementes de gergelim. Continue cozinhando um pouco mais e sempre mexendo, até ter certeza de que todas as especiarias estejam bem misturadas com berinjelas.

Coloque a berinjela cozida em um recipiente. Sem limpar a panela usada, adicione cerca de metade do atraf-at-tib e iogurte drenado. Incorpore muito bem e reserve a panela sem lavar. Ao servir, polvilhe o resto de sementes de gergelim e atraf at-tib por cima.

Para servir coloque as fatias de pão torrado na panela e leve-a ao fogo médio (você pode pressionar as fatias de pão com a mão). Deixe pelo menos um dos lado da fatia absorver o óleo aromático de gergelim que restou na panela. Deixar esfriar por cerca de meia hora e sirva com colheradas deste relish de berinjela.


domingo, fevereiro 18, 2018

ATRAF (AT-)TIB - SPICE MIX

Os temperos servem para realçar, saborizar, temperar, mas sutilmente. E na Idade Média não era diferente. Normalmente toda receita segue um padrão de quantidade ou não, como a maioria das receitas medievais. Há inúmeras releituras de receitas que variam bastante com relação a quais ervas e temperos eram usadas; no que se refere a quantidade de ervas que compõem o mix de acordo com o seu uso especifico; na interpretação e uso que cada povo fazia deste tempero, na questão da sazonalidade da planta e de onde originam - país produtor.

Esta é a mistura de especiarias frequentemente citada no mais importante livro de culinária do Oriente Médio: Kitab al-Wusla ila-al-Habib fi Wasf at-Tayyibati wa-t-Tib (“O Livro dos Vínculos de Amizade ou uma descrição de bons pratos e perfumes", às vezes chamado O livro da Conexão com o Amado"), escrito em meados do século XIII (1226) por Ibn al-Adim, sobrinho-neto de Saladino (1138, Tikrit, Iraque - 1193, Damasco, Síria), o mais alto exemplo de honra cavalheiresca, sabedoria e bom senso.

Neste livro constam oito receitas que utilizam esse tempero, incluindo ensopado de carne, pratos de peixes, relishes saborosos e improváveis molhos. Considerando a complexidade e a diversidade dos ingredientes desta mistura, parece ter sido um antepassado da moderna mistura marroquina chamada Ras el Hanout, uma mistura clássica de especiarias usada na exótica culinária do Marrocos, famosa pela sua autenticidade com aromas bem marcados pelas especiarias. Além disso, Ras el Hanout quer dizer ‘o melhor da loja’ ou ‘top de linha’, refletindo seus ingredientes caros. As boas misturas contêm mais de 20 especiarias diferentes, incluindo pimentas secas, cardamomo, noz-moscada, pimenta da Jamaica, canela, cravo-da-índia, erva-doce, rosa e lavanda, mas Ras el Hanout pode conter até 100 especiarias.

INGREDIENTES

¼ colher de chá macis moída (arilo da noz moscada)
½ colher de chá noz-moscada moída
½ colher de sopa pimenta preta
1 colher de chá cardamomo em pó
1 colher de chá gengibre moído
1 colher de chá lavanda seca
1 folha de louro
2 cravos inteiros
2 rosebuds secos (se disponível)

PREPARAÇÃO

Moer todos os ingredientes INDIVIDUALMENTE em um almofariz e pilão. Se optar por adquirir as ervas e os temperos já moídos escolha de melhor qualidade e procedência. Junte todos os ingredientes em uma tigela grande. Depois de usar, armazene o que sobrou da mistura de especiarias em um recipiente com tampa hermética.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES

As receitas variam, adaptando-se as diferentes regiões, estando a composição dos seus pratos sujeita aos produtos existentes na época, seja na agricultura, na caça, na pesca. Os costumes também influenciam ao mesclar sua cultura com os povos autóctone.

A receita que se segue não deixa de seguir essa constatação. Esta Atraf al-tib, retirada do Annals of the Caliphs' Kitchens: Ibn Sayyaar Al-Warraaq's Tenth-century Baghdadi Cookbook de autoria da Nawal Nasrallah contém treze ingredientes. Sempre há uma duvida com relação ao nome do ingrediente em questão, confiando-se no tradutor, da cozinha árabe medieval, sendo este mais um requisito a ser ponderado quando se "traduz" uma receita.

01. Cardamomo verde - Elettaria cardamomum (hâl)
02. Cravos-da-índia - Syzygium aromaticum (kibâsh qaranful)
03. Folha de louro seca - Laurus nobilis (warq rand)
04. Folhas de bétele (pimenteira) - Piper betle (tanbûl)
05. Gengibre - Zingiber officinale (zanjabîl)
06. Mace - Myristica fragrans (bisbâsa)
07. Nardo Indiano - Nardostachys jatamansi (sunbul) (lisân al-'asâfîr)
08. Noz-moscada - Myristica fragrans (jauz al-tîb)
09. Pimenta longa - Piper longum (dâr fulful)
10. Pimenta preta - Piper nigrum (fulful)
11. Rose botão - Rosa canina (zir ward)
12. Sementes de olmo - Ulmus minor (Nasrallah)
 #. Cinzas comuns (referenciado por Charles Perry) – pode ser as folhas do Fraxinus – Freixo ou Zanthoxylum (Mamica-de-cadela) spp.

Eu, particularmente acredito que este ultimo ingrediente seja mesmo as cinzas resultantes da combustão de madeira ou de restos de plantas, pois em nenhuma das receitas existentes há adição de sal. É possível encontrar na composição químicas de cinzas vegetais tanto o Potássio como o Carbonato de cálcio. Assar por sobre as brasas era um modo cocção que ainda hoje é usado (cooking on the coals).

FONTES:

quinta-feira, janeiro 25, 2018

CORDEIRO BIZANTINO

VYZANTINÓ ARNÍ

Os animais maiores eram uma fonte de comida mais cara e mais rara. Os porcos eram abatidos no início do inverno e forneciam à família salsichas, bacon e banha durante todo o ano. O cordeiro poderia ser oferecido apenas pelas famílias abastadas. Os bizantinos raramente comiam carne bovina, pois usavam o gado para trabalhos nos campos. Eles também saboreavam todos os tipos de peixes, tanto fresco quanto água salgada e crustáceos.” – Macedonian Heritage

INGREDIENTES

8 garrão de cordeiro (souris d'agneau - stinco di agnello - lamb shanks)
1 colher de sopa de azeite ou q.b.
1 cebola picada finamente 
15 g de alho esmagado 
5 g de açafrão moído 
250 ml de vermute doce 
250 ml de caldo de legumes 
4 folhas de louro frescas ou 2 folhas secas 
100 g de farinha de amêndoa 
Raspas (zest) e suco de 2 limões
Sal e Pimenta
Manteiga
Vinho

PREPARAÇÃO

Coloque uma panela funda num fogo bem alto.  Quando ela estiver bem quente, coloque azeite suficiente para espelhar por todo o fundo. Espere o azeite fumegar antes de colocar a carne. Evite colocar diversos pedaços na panela ao mesmo tempo, faça aos poucos e não mexa. E uma dica: deglassar. Após selar a carne, remova o azeite da frigideira e leve-a de volta ao fogo com uma colher de manteiga ou misture com um pouco de vinho e tempere a gosto (sal e pimenta), você terá um delicioso molho para acompanhar o prato.

Na mesma panela deglassada aqueça em fogo alto um pouco óleo e refogue a cebola, o alho e acrescente o açafrão por 1 a 2 minutos. Junte os ingredientes líquidos, em seguida, retornar o cordeiro selado. Acrescente a farinha de amêndoa (pré-dissolvida em pouco do liquido da panela), as folhas de louro e as raspas de limão. Reduza bem o fogo, tape a panela e deixe ferver (lentamente) por cerca de 90 min a 120 min ou até a carne estar macia. Mexa ocasionalmente.

Se a consistência precisar de um espessamento extra, destape a panela e deixe reduzir em fogo médio (cerca de 15 a 20 minutos).

Decore com azeitonas pretas cortadas ou amêndoas torradas, salsa finamente picada. Sirva com arroz e vegetais sazonais.


segunda-feira, janeiro 22, 2018

EGGPLANT OMELET

Em muitos documentos em língua sânscrito, originários por volta de 300 a.C, sugerem que a berinjela era muito popular como alimento e como planta de uso medicinal (shakasreshta significa “vegetal excelente” e rajakushmand, “melão real”). O vocábulo “berinjela” é de origem persa e vem do árabe “badingana”. Provavelmente foi introduzida na Europa quando houve a expansão islâmica durante os séculos 7 e 8. Era consumida na Espanha de maneira freqüente no século XVI; no século seguinte, foi introduzida na França, transformando-se em uma das verduras prediletas de Luis XIV e alcançou grande reputação nas cozinhas do Oriente Médio, da Turquia e dos Bálcãs.

INGREDIENTES

1 berinjela média
1 ovos
Migalhas de pão q.b.
Sal a gosto
1/2 xícara de água
3 colheres (sopa) de óleo

PREPARAÇÃO

Ferver suavemente as berinjelas (cortadas em rodelas espessas) em água e sal até ficar bem cozida e macia.
Escorra a água e misture com as migalhas de pão, um ovo batido, com um pouco de óleo, o coentro seco e a canela. Incorpore tudo até obter uma massa homogenea.
Em seguida, frite as porções feitas com esta pasta em uma frigideira com óleo até dourar.
Faça um molho quente com óleo, murri e alho triturado; e despeje sobre a omelete.

Culinary Abundance Rich Recipes with Medieval Variations an extract of Fadälat al-Jiwān fī tayyibāt al-ta 'ām wa-l-alwān

quinta-feira, dezembro 28, 2017

LOMBO COM BACON E SALSA E LOURO

The First Celebrity Chef - mais uma receita do meu livro preferido: La Opera di Bartolomeo Scappi (1570).

INGREDIENTES

2 lombos (ou contrafilé) de carne de porco ou bovino, de grande espessura
Bacon ou porco salgado, cortado em quadrados – q.b.
1/2 xícara de syrup ou suco de uva
1/4 xícara de vinagre rose
Folhas de salsa ou folhas de louro
1 colher de chá sementes de funcho
1/4 colher de chá de pimenta preta
Generosa pitada de sal

PREPARAÇÃO

Corte o lombo/contrafilé em grandes pedaços. O tamanho do corte (cubos) é importante para a apresentação final. Coloque estes em um prato profundo, então despeje o xarope/syrup-suco de uva, o vinagre e as especiarias. Pressione a carne para absorver o liquido e deixe marinar por várias horas. Em seguida, enfie a carne em espetos longos, intercalando bacon e folhas de salsa ou de louro. Grelhe lentamente apenas o tempo suficiente para que a carne seja cozida, girando de vez em quando, a cada de 15 minutos. Se desejar, regue a carne com o marinado durante o assado. Era normal coletar tanto o liquido do marinado quanto a gordura que desprendia do assado para posteriormente engrossa-lo com miolo de pão, fígado ou farinha com a intenção de obter um molho. Cubra para manter aquecido até o momento de servir com molho.


domingo, dezembro 17, 2017

KAKOBS

KAKOBS (pernil marinado (3 dias) em aguardente de rosmarino e temperado com Tchamã)

Cozinha armênia usa especiarias com moderação, mas conta com o uso de ervas frescas. As principais especiarias utilizados na cozinha armênio são o sal, o alho, a pimenta vermelha (MARAS - particularmente Aleppo Pepper), a hortelã seca (na Armênia Ocidental), o cominho, o coentro, o sumagre, a canela , o cravo , mahaleb (pó da cereja negra). 
Os tipos de temperos utilizados na cozinha são fortemente influenciados pela região. Na Armênia Oriental, as ervas frescas são mais usadas: o dill , o salsa , o estragão , a salsa, o oregano, o tomilho. Na Armênia Ocidental, as ervas preferidos são: a hortelã , a salsa , a manjericão , o estragão, o tomilho e a segurelha. 

TCHAMÃ

INGREDIENTES

1/2 cebola média picada
5 dentes de alho picado
5 g de sal
5 g de alcaravia (cominho) pó + hortelã-pimenta seca + serpão (tomilho) seco
5 g de pimenta preta + pimenta da Jamaica (grão de paraíso)
10 g de paprica (pimenta doce ou pimentão doce) pó.
10 g de feno-grego (alforva) pó

PREPARAÇÃO

Descasque o alho e cebola e corte em pedaços.
Coloque todos os seus ingredientes no almofariz e moa até obter uma pasta fina.
Armazene o que sobrar em um vidro selado.

quinta-feira, dezembro 14, 2017

SALMON FRESSH BOILED

Salmão Fresco Cozido

Take a fresh Salmon, and drawe him in the bely; and chyne him as a swine, a leche him flatte with a knife; and kutte the chyne in ij. or in .iij. peces, and roste him on a faire gredryn; & make faire sauce of water, parcelly, and salt.  And whan hit begynneth to boyle, skem it clene, and cast the peces of salmon there-to, and lete hem seethe; and then take hem vppe, and lete hem kele, and ley a pece or ij. In a dish; and wete faire foiles of parcely in vinegre, and caste hem vppon the salmon in the dish; and then ye shall serue hit for the colde.

- Austin, Thomas. Two Fifteenth-Century Cookery-Books. Harleian MS. 279 & Harl. MS. 4016, with extracts from Ashmole MS. 1429, Laud MS. 553, & Douce MS 55. London: for The Early English Text Society by N. Trübner & Co., 1888.

INGREDIENTES

1 quilo de filetes de salmão
Salsa ou Salsinha
Vinagre de vinho ao gosto
Sal a gosto

PREPARAÇÃO

A receita original pede para grelhar o peixe. A ideia é dar consistência e firmeza ao filé. Este procedimento é muito rápido e externo, em ambos os lados. O cozimento acontecerá depois. Se tiver uma forma ou mesmo uma panela com caneletas use para criar umas marcas diagonais. Disponha os filés em uma frigideira.

Coloque no fogo uma panela a parte, com uma quantidade de água suficiente para cobrir os filés grelhados dispostos na frigideira mais o sal e alguns raminhos de salsa ou salsinha. Quando atingir a eboluição verta a água ainda fervendo por cima do peixe. Acenda e mantenha em fogo baixo por cerca de cinco minutos ou até que carne esteja macia. Retire com cuidado o peixe e colocá-lo em uma travessa e decore com ramos de salsa embebidos em vinagre. Acompanha verduras, legumes e folhosos.

sábado, dezembro 09, 2017

BREWET OF AYRENN - FORME OF CURY-1390

Uma histórica receita de uma omelette cuja origem remonta a costumes de tribos e beduínos que cruzavam o deserto do oriente médio.

Brewet Of Ayrenn. XX.IIII. XI. Take ayrenn, water and butter, and seeþ hem yfere with safroun and gobettes of chese. wryng ayrenn thurgh a straynour. whan the water hath soden awhile: take þenne the ayrenn and swyng hem with verious. and cast þerto. set it ouere the fire and lat it not boile. and serue it forth. Forme of Cury (England, 1390)

P.S. AYRENN, eggs, ovos.

INGREDIENTES

6 ovos
Igual volume de água
50 g de manteiga picada
15 fios de açafrão (*)
5 ml de verjus
30 g Brie, ralado
60 g Mozarella, ralado

PREPARAÇÃO

Misture ovos, água, manteiga, queijos e açafrão.
Deixe descansar por alguns minutos.
Adicione verjuice aos poucos enquanto cozinha suavemente.
Servir (numa torrada facilitando a porção).

(*) pode optar por q.b. de curcuma

terça-feira, dezembro 05, 2017

RUMMANIYYA - ALMÔNDEGAS AO MOLHO DE ROMÃ

Rummaniyya b'ras il-'Asfour
رمانية براس العصفور

A Romã, infrutescência da romãzeira (Punica granatum), é um dos frutos cujo cultivo e consumo vem desde a Antiguidade. Originária do Oriente Médio e da Ásia Menor, a fruta já era domesticada no Irã por volta de 2000 a.C. Foi cultivada na antiguidade pelos fenícios, gregos e egípcios. Para os gregos, a romã era um símbolo da fecundidade; para os judeus, simbolizava a esperança de um ano novo próspero; já para os romanos, a fruta significava ordem e riqueza e era considerado nas cerimônias e nos cultos como símbolo de ordem, riqueza e fecundidade.

Os semitas a chamavam de rimmon; entre os árabes, era conhecida como rumman; mais tarde, os portugueses a chamaram de romã ou "roman". Na Idade Média, a romã era frequentemente, considerada como um fruto cortês e sanguíneo, aparecendo também nos contos e fábulas de muitos países. Os povos árabes salientavam os poderes medicinais dos seus frutos e como alimento. Tanto a planta como o fruto têm sido utilizados em residências ou em banquetes pelo efeito decorativo das suas flores e dos seus frutos, além do seu uso como cerca viva e planta ornamental. [W]

Hoje em dia no Iraque e no Irã, pratos semelhantes são mais conhecidos pelo nome iraniano Fesengan (فسنجون), originalmente chamado de Fesenjan ((pronuncia-se fesenjoon)-(persa: فسنجان‎‎), é um prato que faz parte da cozinha persa e cozinha turca. Trata-se de um guisado de carne com suco de romã e nozes moídas. Tradicionalmente, foi feito com carnes de aves de capoeira (pato ou frango). Como variante pode utilizar almôndegas - geralmente cordeiro, peixe (ghormeh) ou também vegetais picados (sabzi). Essa era uma maneira bem corriqueira de cozinhar em todo o mundo islâmico medieval.

As pequenas almôndegas usadas na receita acima eram comumente conhecidas como bunduqiyyat (do tamanho de uma pequena avelã bunduqa). É interessante ver como essas pequenas almôndegas medievais encontraram o seu caminho para o oeste para a Espanha e mais tarde para o México e a América do Sul e manteve o nome original em espanhol albóndiga (proveniente do árabe "al-bunduqa" “a bola”), enquanto no Oriente Médio hoje, eles são geralmente conhecidos como kufta / kefta / kafta, etc. Rummaniyya, em uma de suas versões medievais, sobreviveu na culinária Levantine, (tradicional cozinha do Levante - refere-se a uma região multi-nação no Oriente Médio, ponte terrestre entre a Turquia ao norte e o Egito ao sul - o lado do horizonte onde o sol se levanta) especialmente na Palestina, onde é cozida com berinjela e, em vez das nozes e com molho engrossado com um pouco de tahini (creme ou pasta feito de sementes de gergelim – sésamo – cru ou torrada). Desta cozinha fazem parte Baba ghanoush, Baklava, Falafel, Hummus, Kebab, Lentil soup, Mujaddara, Sfiha, Tabbouleh, Za'atar e tantas outras.

Está uma das receitas que você pode encontrar no livro de receitas anônimo do século XIV, Kanz al-Fawa'id (receita nº 10, p.15), que também está incluído no Kitab al-Baghdadi, do século XIII. - Tabeekh (Manuscrito da Biblioteca Britânica, fol. 16 r):

Rummaniyya Mukhaththara (thickened pomegranate stew): Cut pieces of meat are added to the pot with water. When the pot comes to a boil, the scum is removed, and meatballs of pounded meat, made as small as hazelnuts, are added. Use a small amount of liquid in the pot, so that when it is all done nothing remains but a little bit of a nice rich sauce. Next, sour pomegranate juice is balanced with rose petal jam made with sugar, and is added to the pot along with some mint leaves. Pistachio is pounded to thicken the stew, a bit of saffron is added for color, and all the spices used in atraf al-teeb [medieval spice blend].The pot is sprinkled with some rosewater and saffron, and then it is taken away from the fire.

INGREDIENTES

Para as cabeças dos pardais (almôndegas):

500 gr de carne moída
1 cebola pequena, ralada
2 dentes de alho
50 gr de farinha
Quanto basta de sal, pimenta preta, sementes de coentro trituradas, salsa picada, pimenta da jamaica (grão do paraíso), pó de gengibre, curcuma em pó, pimenta branca.

Para o molho:

50 ml de azeite
200 gr de cebola cortada em cubos
1.000 ml de caldo de frango, de acordo com a necessidade de líquido
400 gr de nozes picada
1/4 xícara de mel
120 ml de xarope de romã – SYRUP OF POMEGRANATES - GRENADINE  
Quanto basta de ATRAF (AT-)TIB: sal, açafrão, cardamomo, canela, pimenta preta, noz-moscada, pimenta branca, 

PREPARAÇÃO

Para fazer as bolas de carne: Combine todos os ingredientes da almôndega e amasse levemente. Reserve um pouco da salsa. Com os dedos úmidos, faça bolas pequenas (tão pequenas como as cabeças dos pardais!). Frite-as ou coloque-as numa assadeira untada em uma camada única, e grelhe ou assar em um forno pré-aquecido a 200 ° F. Gire as almôndegas para dourar em todos os lados, cerca de 10 minutos. Reserve.

Em uma panela média, fritar a cebola em óleo até ficar transparente, cerca de 5 minutos. Adicione a açafrão e as nozes trituradas e mexa por cerca de um minuto. Adicione as almôndegas, bem como o resto dos ingredientes do molho. Tenha atenção a quantidade de caldo: até cobrir as almôndegas. Mexa suavemente, leve a ferver rapidamente e, em seguida, reduza o fogo e deixe cozinhar suavemente por cerca de 30 minutos, ou até que o molho esteja bem engrossado. Se for necessário retire as almôndegas e reduza o molho até a consistência desejada.

Sirva as almôndegas e o molho em um prato fundo e enfeite com a salsa reservada e disponha sementes de romã (se tiver) ou pimenta malagueta. Será extremamente apetitoso se servido sobre uma cama de arroz branco.

terça-feira, novembro 28, 2017

SYRUP ROMAN - POMEGRANATES - GRENADINE

Syrup ou melaço de romã é um ingrediente tradicional na culinária Oriente Médio e pode ser usado em uma variedade de pratos.

Para obter o suco de romã, coloque os arilos no liquidificador e pulso apenas o suficiente para que os arilos sejam quebrados. Em seguida, passe essa massa por uma peneira de malha fina.

Note-se que romãs variam em seu nível de acidez e doçura. Dependendo do suco que você está usando, você muitos precisam para adicionar mais ou menos açúcar ou suco de limão para obter o equilíbrio certo de açúcar e acidez.

INGREDIENTES

4 xícaras de suco de romã
1/2 xícara de açúcar 
2 colheres de sopa de suco de limão 

PREPARAÇÃO

Em uma panela grande, larga e destapada, aqueça o suco de romã, o açúcar e o suco de limão em fogo médio até o açúcar dissolver e o suco ferver. Reduza o fogo apenas o suficiente para manter a ferver.

Cozinhe por cerca de uma hora, ou até o suco atingir a a consistência de xarope, e reduzir para mais da metade do liquido inicial. Despeje em uma jarra e deixe arrefecer. Mantanhe na geladeira.