"Ser criativo nem sempre é inovar, às vezes significa olhar para trás e trazer o conhecido de forma inesperada." - Alex Atala
“Nothing is more interesting than that something that you eat.” - Gertrude Stein - Gastronomica-The Journal of Food and Culture
Mantemos um senso comum com relação a higiene medieval que generalizou-se como verdade, porém as pessoas na Idade Média se banhavam sempre que possível e tentavam se manter limpas.
Hoje como antigamente o cuidado com a limpeza na cozinha e na higienização dos alimentos é um procedimento de extrema importância: lave bem as mãos antes de usar a cozinha; limpe os utensílios que irá usar, peças de equipamentos e local de trabalho; higienize corretamente dos vegetais - legumes, hortaliças e frutas. E NÃO lave as carnes.

sábado, abril 20, 2013

Os Torneios Medievais – Espetáculos e Desafios na Corte de René I


A emoção maravilhosa vai começar.

Nos dias de hoje, nebulosos, agitados, estressantes, as luzes e cores da ostentação sempre ofereceram uma fuga da realidade mundana. A vida medieval era geralmente mais enfadonha, mais cinzenta e mais dura do que a nossa, e suas grandes ocasiões distinguiam-se ainda mais fortemente diante de tal cenário. Imagine um mundo onde as cores vivas eram um luxo, onde a música era ouvida somente nas feiras, nas cortes e em grandes aglomerações do mesmo tipo, onde os entretenimentos podiam ser vistos em raros intervalos e, por conseguinte, somente nas cidades e nos vilarejos, um mundo onde, após o anoitecer, a escuridão era quebrada por alguns tênues clarões. Hoje, quando nossos sentidos são bombardeados por uma fartura de riquezas, ainda conseguimos reagir à pompa de uma grande ocasião. O efeito sobre um espectador medieval de tal desfile suntuoso era muitas vezes mais intenso.

Os torneios estavam no centro de grande parte da ostentação medieval, e é esta imagem que hoje permanece conosco. Eles combinavam o espetacular com toda a excitação de um combate físico hábil e perigoso e a resultante veneração dos heróis de suas estrelas. Somado a isso, havia um elemento de idealismo, pois o torneio era fundamental ao mundo da cavalaria, e as damas que assistiam das arquibancadas estavam lá tanto para inspirar como para admirar seus cavaleiros, e para fortalecer lhes a coragem com sua presença. Mas diante de tais indagações e constatações no presente pergunta-se; como um combate simulado tornou-se um espetáculo? Quando foi criada a ideia de um torneio? Havia regras e formas estabelecidas? Como foi difundido tal prática? O que sabemos sobre os detalhes da técnica e armadura? As respostas são surpreendentemente difíceis de descobrir e foi somente nos últimos anos, com o renascimento do interesse na ética e realidade da cavalaria que os estudiosos começaram a responder a algumas dessas questões, como que seguindo um conselho de Le Goff que diz:

“Com grandes esforços de métodos e respeitáveis esforços de imaginação, podemos, entretanto, fazer com que as lacunas falem. É uma das tarefas dos medievalistas que virão fazer falar os silêncios atuais da Idade Média”.

Este trabalho usa esta pesquisa recente para exibir um quadro coerente do torneio medieval, mas muitas das conclusões precisam inevitavelmente ser provisórias.

Os historiadores medievais ignoravam os torneios completamente, ou anotavam somente os detalhes mais breves. Deste modo se tem que procurar os menores fragmentos de evidência e reunir o que pudermos na bibliografia especializada, nas crônicas medievais, nos livros específicos como o Livro dos Torneios de René D’Anjou, do século XV, foco deste trabalho, de maneira ampla para ilustrar e dirimir dúvidas e conceitos a respeito do tema, como se exemplifica na ilustração abaixo:

Outra fonte usada (com grande cautela e como último recurso) foram os romances de cavalaria. A pesquisa nas bibliotecas de todo o mundo (via internet) a respeito do assunto proporcionou excelentes resultados, no que tange as variadas opiniões a respeito de interessante abordagem histórica. Diante das dificuldades, o sentimento é de escrever uma história de futebol a partir das páginas de notícias de jornais atuais: as reportagens sobre esportes da Idade Média (se é que existiram) em geral desapareceram.

Definiu-se o termo “torneio” para descrever a ocasião toda, simplesmente porque é familiar ao leitor moderno como um termo geral. A alternativa comum nas crônicas inglesas e francesas no período de 1100-1400 é Hastiludium .

Já as “justas” eram especificamente combates simples, um contra um, embora o competidor de justa possa pertencer a uma equipe; no período de até 1400, elas eram geralmente disputadas sem uma barreira central para separar os combatentes. A arena era a área anexa na qual os torneios ou justa eram disputados; no período inicial do torneio, as fronteiras eram muito amplas, e nem sempre claramente definidas, mas do século XIII em diante um cercado fortificado parece ter sido estabelecido como padrão. Mas exploraremos as implicações detalhadas destes termos mais adiante nos capítulos pertinentes ao assunto.

Paulo Edmundo Vieira Marques, professor, historiador e escritor medievalista. Especialista em estudos do século XV. 


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